O WebMCP (Web Model Context Protocol) é uma proposta de padrão web que permite que sites exponham funcionalidades de forma estruturada (ferramentas estruturadas) para agentes de IA, sem que eles precisem adivinhar quais botões apertar ou quais campos existem em um formulário, como fazem atualmente.
A iniciativa é fruto de uma parceria entre os engenheiros do Google e da Microsoft e foi divulgada no dia 10 de fevereiro de 2026 no blog do Chrome for Developers. “Ao definir essas ferramentas, você informa aos agentes como e onde interagir com seu site, seja reservando um voo, enviando um tíquete de suporte ou navegando por dados complexos. Esse canal de comunicação direta elimina a ambiguidade e permite fluxos de trabalho de agentes mais rápidos e robustos”, explicou André Cipriani, Engenheiro de Relações com Desenvolvedores do Google.
Para a fundadora da Experta e especialista em SEO, Flávia Crizanto, “o WebMCP marca uma virada estrutural para o SEO. Durante anos, nosso trabalho foi tornar páginas compreensíveis para mecanismos de busca. Agora, estamos falando de tornar funcionalidades compreensíveis para agentes de IA. Isso amplia de forma efetiva a lógica da otimização para o campo das IAs para ações efetivas e não apenas suposições.”
O tema também foi pauta de discussão no Programa Otimização Semanal.
O impacto do WebMCP no SEO técnico
O trabalho dos profissionais de SEO foi ancorado em fazer com que os sites e suas páginas fossem capazes de entregar sinais e informações e torná-los legíveis para os robôs e rastreadores dos motores de busca, como o Google. Robots.txt, tags canônicas, meta descrições e schema.org são alguns desses sinais estruturados para entender sites.
A chegada do WebMCP representa uma tentativa semelhante, só que direcionada para os agentes de IA. Ainda em fase de testes, o recurso já possui alguns desafios como saber quais sites possuem a ferramenta, sem a necessidade de visitá-los primeiro.
Para o especialista em SEO para IAs Dan Petrovic, quando essa camada de descoberta for solucionada, a otimização para agentes de IA se tornará efetivamente uma técnica. “Você vai querer que suas ferramentas e funcionalidades sejam encontradas, compreendidas e escolhidas em relação às da concorrência”, comentou Dan em seu blog.
Agent Conversion Optimization (Otimização para conversão de agentes – ACO)
As técnicas para convencer os agentes de IA a escolherem as funcionalidades de um site podem ser definidas como Agent Conversion Optimization. Em breve, os profissionais poderão fazer testes para verificar qual descrição de ferramenta gera mais resultados e tentar entender por que um agente de IA escolheu finalizar uma compra em um concorrente e não no seu site, aumentando os fatores de encontrabilidade.
Entre os itens que em breve podem fazer parte da realidade dos profissionais de SEO técnico, a partir da consolidação do WebMCP estão:
- Descrição de ferramentas/recursos: assim como as meta descrições no código dão contexto para os buscadores, a qualidade do nome, descrição e marcações nas ferramentas determinarão se um agente de IA irá ou não selecionar uma página. Na documentação disponível sobre o WebMCP, já existem recomendações como a de usar verbos claros e diretos, explicar o por quê das opções. Tudo isso para que os agentes possam entender cada funcionalidade disponível na página.
- Estrutura Schema: a aplicação correta e bem feita do JSON Schemas e nomes de parâmetros intuitivos são alguns dos pontos que poderão fazer parte de um trabalho profundamente técnico.
De forma geral, em um cenário que tende a fluir para a utilização dos agentes de IA para execução de ações em nome do usuário, sites com WebMCP bem estruturado e confiável irão capturar o tráfego estratégico.
Os sites que não se preocuparem com essas otimizações sequer existirão no espaço de decisão do agente.
Interações estruturadas para uma Web Agêntica
O WebMCP quebra a lógica imaginária estabelecida nos últimos tempos de que os agentes precisam ser totalmente autônomos. Por isso, a sua implementação foi desenhada para fluxos cooperativos entre agentes e humanos, trabalhando dentro de uma lógica de mediação.
O padrão estabelece um novo equilíbrio: agentes ganham clareza semântica e confiabilidade técnica para acionar funcionalidades; usuários mantêm controle, contexto e decisão final; sites preservam governança sobre como e quando suas capacidades podem ser usadas.
Na prática, permite que os desenvolvedores informem aos grandes modelos de linguagem exatamente o que cada botão ou link em um site faz. O funcionamento é feito por meio de APIs que funcionam como uma ponte, preparando o site para agentes.
O WebMCP introduz duas novas APIs que permitem que agentes de navegador ajam em nome do usuário:
- API declarativa: Lida com ações padrão definidas diretamente em formulários HTML.
- API Imperativa: Suporta interações complexas e dinâmicas que exigem a execução de JavaScript.
Uso prático do WebMCP
Imagine que você está em busca de um vestido de casamento e pede ajuda à sua assistente de IA. A agente de IA sugere algumas lojas, abre um site de vestidos no navegador e percebe que esse site está preparado para “conversar” com a IA usando o WebMCP.
Em vez de apenas olhar a página como um humano faria, a assistente descobre que a página expõe ferramentas do WebMCP, como `getDresses()` e `showDresses()`e assim
consegue usar funções que o próprio site oferece para buscar e organizar os produtos.
Caso você deseje ser mais específico e refine a busca para “vestidos adequados para um coquetel”, a assistente usa essas ferramentas para filtrar melhor as opções e atualizar a página, mostrando apenas os modelos que fazem sentido para aquele pedido, enquanto você acompanha tudo na tela.
O Google também compartilhou casos de uso que mostram como um agente de IA pode lidar com tarefas complexas para seus usuários com rapidez e segurança:
- Viagens: Os usuários podem obter os voos exatos que desejam. Os agentes podem pesquisar, filtrar resultados e concluir reservas usando dados estruturados que fornecem resultados precisos sempre.
- Suporte ao cliente: Os usuários podem criar solicitações de suporte detalhadas mais rapidamente. Os agentes podem preencher automaticamente os detalhes técnicos necessários.
- E-commerce: os usuários podem comprar com mais eficiência. Os agentes podem encontrar produtos, configurar opções e finalizar a compra com precisão.
Atual contexto e situação do WebMCP
O protocolo está em fase de testes no Chrome 146 Canary e você pode solicitar o acesso à versão prévia do WebMCP aqui. Outros navegadores ainda não divulgaram datas oficiais de adoção, mas o envolvimento direto da Microsoft na criação da especificação indica que o suporte no Edge é um caminho provável.
No mercado, a expectativa é que anúncios mais concretos comecem a aparecer entre o meio e o final de 2026. Eventos como o Google Cloud Next e o Google I/O são vistos como os palcos mais prováveis para a divulgação de uma implementação mais ampla.
Em paralelo, a solução avança de um estágio de incubação comunitária dentro do W3C para a fase de rascunho formal (um processo que costuma levar meses, mas que sinaliza um compromisso real das grandes empresas com o padrão).
Como todo padrão web, o sucesso do WebMCP depende da adoção, tanto por navegadores quanto por desenvolvedores. Ainda assim, o cenário inicial é favorável.
Google e Microsoft já colaboram no código, o W3C oferece a base institucional, e o Chrome 146 já executa uma implementação funcional, ainda que protegida por uma flag. Isso significa que o WebMCP já superou a etapa mais difícil de qualquer padrão: deixar de ser apenas uma boa ideia e se tornar software real em funcionamento.
Evolução da Web Agentic

A evolução dos protocolos mostra como a web está sendo reestruturada para operar nativamente com agentes de IA. No último ano, alguns lançamentos importantes foram realizados e estão colaborando para a criação de uma estrutura e ecossistema mais padronizado.
MCP: lançado em novembro de 2024 pela Anthropic, surgiu para padronizar o acesso de modelos de linguagem a dados, ferramentas e sistemas, resolvendo o problema das integrações no backend.
UCP: em seguida, ao longo de 2025, o UCP apareceu para tratar especificamente da camada transacional, viabilizando compras, pagamentos e contratos executados por agentes de forma padronizada.
Junto com o WebMCP esses protocolos formam a base de uma web agêntica, na qual acesso, ação e transação passam a fazer parte de uma mesma infraestrutura operacional.
Diferença entre MCP e WebMCP
O WebMCP não substitui o Model Context Protocol (MCP), criado pela Anthropic, apesar de compartilhar a mesma base conceitual. Trata-se de camadas diferentes da arquitetura. O MCP é um protocolo de back-end, pensado para integrações diretas entre plataformas de IA e serviços por meio de servidores, seguindo uma lógica cliente-servidor. Já o WebMCP atua exclusivamente no lado do cliente, dentro do navegador, permitindo que sites descrevam ações de forma estruturada para agentes que operam no contexto da sessão ativa do usuário.
Na prática, esses padrões são complementares. Uma empresa pode manter um servidor MCP para integrar seus sistemas a modelos de IA como ChatGPT ou Claude, ao mesmo tempo em que implementa WebMCP em seu site para permitir que agentes baseados em navegador interajam diretamente com fluxos como busca, reserva ou compra. Cada protocolo atende a um tipo distinto de interação, sem sobreposição ou conflito.
Essa distinção é relevante do ponto de vista estratégico e arquitetural. O MCP é mais adequado para automações entre sistemas, em cenários sem interface visual. O WebMCP, por outro lado, faz sentido quando o usuário está presente e a interação ocorre na web, com contexto visual compartilhado — exatamente o cenário dominante nas experiências digitais voltadas ao consumidor.