Conteúdo commodity e conteúdo non-commodity

Google endurece critérios de indexação e eleva valor do conteúdo original

Conteúdo commodity é aquele produzido em larga escala, genérico e facilmente replicável, como listas de dicas ou guias padronizados. Já o conteúdo non-commodity é o oposto: único, baseado em experiências reais, perspectivas próprias e análises aprofundadas, difícil de replicar, como um relato específico de por que um produto falhou em determinada situação ou uma análise contextualizada para um público concreto. 

Foi essa definição que o Google criou para mostrar que elevou os critérios de indexação em resposta ao aumento de conteúdo produzido com inteligência artificial. O anúncio foi feito durante o Google Search Central Live, realizado em abril de 2026, em Toronto, e trouxe uma nova nomenclatura que rapidamente se tornou o assunto mais comentado na comunidade de SEO na semana.

A distinção entre conteúdo commodity e conteúdo non-commodity foi o ponto central do evento. E entender essa diferença importa para quem depende de tráfego orgânico.

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Slide conteúdo commodity e non commodity
Imagem: divulgação Barry Schwartz, X: https://x.com/rustybrick/status/2047326250511770112/photo/2

O que é conteúdo commodity

O termo vem do mercado financeiro. Commodity são matérias-primas básicas disponíveis em escala, sem diferenciação. O Google usou esse conceito para nomear um tipo de conteúdo que a web produziu em grande quantidade nos últimos anos.

“Quando a gente fala de commodity é um termo que se usa para matérias-primas básicas que geralmente estão disponíveis em escala. E aí o Google faz essa relação e fala que hoje o Google tende a não valorizar mais esse conteúdo”, explicou Flávia Crizanto no Otimização Semanal.

Os exemplos mostrados no evento em Toronto foram diretos. Um guia com o título “Top 10 coisas para considerar quando comprar um tênis de corrida”, “Sete dicas para quem vai comprar uma casa pela primeira vez” ou “Tendências de cozinha que você precisa ver” são, para o Google, conteúdos commodity. Formatos amplamente reconhecidos, que existem em escala e que qualquer produtor consegue replicar.

Por que esse conteúdo perde espaço

O especialista em SEO Michael King trouxe uma perspectiva importante sobre isso, comentada por Flávia durante o programa. O conteúdo commodity tem uma superfície ampla e é facilmente absorvido pelos dados de treinamento das IAs. Mas é justamente por isso que ele desaparece.

“O conteúdo commodity é como se as IAs entendessem esses conteúdos melhor. Mas o que acontece? Ela pega todos esses conteúdos e transforma numa coisa só. O nosso conteúdo commodity some entre todos os outros conteúdos. Mas quando a gente tem um conteúdo que não é commodity, a possibilidade desse conteúdo realmente aparecer mencionado, citado com link, reconhecido como uma fonte de autoridade, é muito maior”, pontuou Flávia ao comentar a análise de King.

O que é conteúdo non-commodity

O Google apresentou o conceito de conteúdo non-commodity como o oposto direto. São materiais únicos, baseados em experiências reais e difíceis de replicar. Em vez de listas genéricas, esses conteúdos mostram situações específicas, decisões reais e análises aprofundadas.

Os exemplos do evento em Toronto ilustram bem a diferença. Em vez de “top 10 tênis para corrida”, o conteúdo non-commodity seria “por que este tênis colapsou depois de 400 quilômetros”. Em vez de dicas gerais sobre decoração, seria a análise de por que mármore não foi recomendado para uma família com duas crianças pequenas, considerando o risco de manchas.

“É como se fosse um ponto de vista único ou uma visão mais elaborada, mais analítica sobre um determinado tema”, descreveu Flávia ao explicar o conceito para o público do programa.

Indexação e qualidade: o que muda no Search Console

O evento em Toronto também trouxe um alerta direto sobre indexação. Segundo o Google, páginas rastreadas mas não indexadas geralmente estão relacionadas a sinais de qualidade ou duplicidade, e não a problemas técnicos.

“Quando lá no Search Console páginas aparecem como rastreadas mas não indexadas, não necessariamente é porque tem um problema técnico, mas pode ser que ele tenha entendido aquele conteúdo como um conteúdo de baixa qualidade”, disse Flávia Crizanto.

Esse ponto muda a forma de diagnosticar problemas. Antes de buscar erros técnicos, vale questionar se o conteúdo daquela página realmente merece ser indexado.

Posicionamento do Google sobre conteúdo produzido com IA

Um detalhe importante que também surgiu no contexto do evento em Toronto é que o Google não proíbe o uso de IA na produção de conteúdo. A posição da empresa é mais específica.

“O Google não é contra conteúdo produzido com IA. Ele foi claro nesse aspecto. Nós somos contra conteúdos produzidos em escala. Então o famoso conteúdo útil ganhou uma nova roupagem e o Google está chamando de non-commodity”, explicou Flávia.

Outros pontos do evento importantes para SEO

Além dos critérios de indexação e da classificação de conteúdos, o evento em Toronto trouxe informações adicionais relevantes para profissionais de SEO.

O Google afirmou que não há benefício em converter sites para Markdown nem em criar arquivos LLMs.txt para fins de SEO. Essa posição já havia sido comunicada em outros canais e eventos, e foi reafirmada em Toronto.

Sobre o Google Trends, a empresa informou que haverá melhorias com acesso via API e dados segmentados por período. A novidade é esperada há algum tempo pela comunidade.

Em relação a bloqueios como o Google-Extended, o conteúdo pode continuar sendo utilizado a partir do índice de busca. O uso de “nosnippet” foi citado como uma alternativa para impedir a exibição de trechos específicos.

Quais formatos continuam performando

Com base em dados trazidos em um artigo do Cyrus Shepard, que acompanha de perto os tipos de conteúdo com melhor desempenho na era da IA, é possível identificar o que segue funcionando mesmo com o crescimento das respostas diretas na busca.

“Pesquisa original, dados próprios, ganharam uma força ainda maior dentro desse cenário. Quem está aí produzindo conteúdo com dados próprios e pesquisas, por isso que o PR está tão em alta”, comentou Flávia durante o programa.

Entre os formatos com maior potencial de visibilidade estão páginas de transação, pesquisas originais com dados proprietários, comunidades com conteúdo gerado por usuários, análises aprofundadas, testes, estudos de caso, documentação técnica e vídeo podcast.

Cada vez mais, estudos e tendências apontam que conteúdo que mostra conhecimento real, perspectiva própria e experiência concreta tem mais chances de se destacar, tanto na busca tradicional quanto nas respostas geradas por inteligência artificial.

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