
Um tribunal regional de Munique, na Alemanha, emitiu uma decisão, em junho de 2026, que pode mudar a relação entre big techs e responsabilidade legal na era da inteligência artificial. O tribunal determinou que o Google é diretamente responsável por informações falsas geradas pelo AI Overview, o recurso de resumos automáticos exibidos no topo da página de resultados de busca.
O caso envolveu duas editoras de Munique que foram associadas, sem nenhum respaldo nas páginas citadas, a golpes e práticas comerciais questionáveis. A inteligência artificial do Google produziu resumos que ligavam essas empresas a atividades ilícitas, o que espantava usuários e causava danos à reputação dos negócios.
Neste artigo comentaremos sobre a decisão e como ela pode influenciar o avanço das inteligências artificiais, além dos impactos nas estratégias de SEO. Não esqueça de adicionar a Experta Media como sua fonte de notícias preferencial no Google, clicando no botão abaixo, para não perder nada.

Boa leitura!
Entenda o caso: Como as “alucinações” da IA do Google geraram o processo
Duas editoras com sede em Munique, com nomes não divulgados devido às leis de privacidade da Alemanha, foram alvos de uma confusão gerada pelos resumos de IA, conhecidos também como AI Overviews.
Ambas as empresas foram alvos das chamadas alucinações de IA, ou seja, um erro e confusão de identidade no AI Overviews. Foram vinculados os nomes das empresas a golpes e práticas comerciais questionáveis que terceiros praticaram, induzindo o usuário ao erro e difamando as duas editoras.
O problema foi além do que estava nas fontes. A IA gerou afirmações que não existiam sequer nas páginas citadas, conectando as editoras a sites de reclamação de forma completamente equivocada.
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A defesa do Google e os argumentos recusados
O Google tentou se defender argumentando que a legislação aplicada aos mecanismos de busca tradicionais deveria valer para o caso. Nas buscas convencionais, o Google exibe o conteúdo exato dos sites e se ampara no fato de que a fonte original é a responsável pelo texto.
O caso foi debatido no Otimização Semanal, programa conduzido por Flávia Crizanto, CEO da Experta, e por Lisane Andrade, fundadora da Niara. No episódio 42 Lisane explica que o problema está justamente na natureza do AI Overview:
“No caso do AI Overview, ele reescreve, avalia os resultados da web e, com as suas próprias palavras, cria um resumo. Isso já quebra o argumento do Google para se proteger. Ele está criando uma informação nova.”, disse Lisane.
O Google também tentou alegar que os usuários sabem que a IA erra. Entretanto, o tribunal não aceitou, apresentando, através dos juízes,a lógica de que, por ser exibido como uma resposta pronta e autossuficiente, o AI Overview induz sim o usuário ao erro.
“É como um jornal que publica uma manchete errada e fala: ‘Ah, mas o leitor tem que clicar e ler tudo’. Não é assim.”, ilustrou Lisane
Outro argumento descartado pela justiça alemã foi o de liberdade de expressão. O tribunal deixou claro que uma resposta gerada por algoritmo comercial não tem a mesma proteção que uma opinião humana, porque não parte de uma convicção pessoal.
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A decisão do tribunal em relação ao caso
A decisão determinou uma liminar impedindo o Google de repetir as alegações contestadas. A empresa informou que vai recorrer, ainda sustentando que a IA apenas reflete o que está na web. Mas o precedente para o uso dessa decisão em outros julgamentos similares já existe. O cenário exigirá que as empresas repensem a forma como estão desenvolvendo os recursos de inteligência artificial.
Flávia Crizanto conecta a decisão com o debate mais amplo sobre o papel das plataformas de IA:
“O Google usa e modifica o nosso conteúdo, sem autorização, exibe esse conteúdo sem entregar os cliques e ainda quer que a responsabilidade seja do usuário (…). Informação e distribuição de informação é uma questão muito séria e as big techs devem ser responsabilizadas pelo que estão construindo.”
O modelo de negócios da busca generativa pode precisar ser revisto, um ecossistema que impulsionou diretamente o surgimento do GEO (Generative Engine Optimization). E a demora do Google em tornar o AI Mode a experiência padrão no Chrome talvez não seja coincidência. Com erros acontecendo nessa escala de buscas e decisões judiciais começando a surgir na Europa, avançar sem cautela pode custar muito mais do que perder uma corrida com os concorrentes.
Como proteger a reputação e o tráfego da sua marca na era da IA?
O cenário desenhado pela decisão de Munique traz luz a um tópico delicado: depender cegamente da visibilidade nas IAs é um risco.
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