IBM lança playbook de GEO para marcas

85% das menções que as IAs usam para recomendações vêm de sites de terceiros

A IBM apresentou durante o Adobe Summit um playbook de GEO (Generative Engine Optimization) com orientações para que as marcas mantenham visibilidade em um cenário onde ferramentas de IA já respondem perguntas, comparam produtos e recomendam empresas, muitas vezes sem que o usuário acesse qualquer site.

A proposta central é que as marcas adotem uma estratégia estruturada, com 12 componentes que abrangem conteúdo, tecnologia e operações. O documento parte da premissa de aIA se tornou a porta de entrada para a descoberta de marcas, quem não está preparado para esse ambiente perde espaço.

O assunto também foi discutido no episódio 35 do Otimização Semanal, Lisane Andrade destacou a clareza da mensagem da IBM.

“Eles deixaram claro durante o evento que a IA agora é uma intermediária entre a marca e o cliente. E eles propõem um sistema ali robusto de 12 itens, que vão muito além de palavras-chave.”

Leia também: Como monitorar e mensurar prompts em GEO

Consistência de marca como fundamento para as IAs

Um dos pilares do playbook é a consistência de mensagem entre canais. A IBM chama isso de consistência omnicanal. A lógica é que uma marca não pode ter um discurso no Reddit diferente do que comunica no seu site, porque as IAs cruzam informações de diversas fontes para construir suas respostas.

Lisane Andrade explicou esse ponto no programa: “Você não pode ter uma mensagem no Reddit diferente de uma mensagem do seu site, por exemplo, não vai gerar tanta confiança assim pelas IAs.”

Outro componente relevante é o padrão de extração. A IBM recomenda que o conteúdo seja organizado em blocos diretos de pergunta e resposta para facilitar a leitura por algoritmos. Vale notar, como Lisane lembrou durante o episódio, que o Google tem uma posição diferente sobre isso. “O Google já falou sobre isso e não recomenda essa tática. Ele diz que não é necessário adaptar o seu conteúdo especificamente para IA.”

Esse contraste reforça a importância de ler recomendações de mercado levando em conta o que diferentes players dizem sobre o mesmo tema.

A maioria das menções vem de fora do seu site

Um dado que chama atenção no material da IBM é que 85% das menções de uma marca nas IAs vêm de sites de terceiros, como redes sociais, fóruns e veículos de mídia. Isso coloca estratégias de PR, presença em comunidades e consistência editorial em canais externos no centro da discussão sobre visibilidade em IA.

Para Flávia Crizanto, esse dado conecta diretamente com o que os profissionais de SEO já sabem sobre a importância de construir autoridade fora do próprio site. “Conteúdos de terceiros, com PR, tudo isso vai dar conta de fazer com que você realmente possa aparecer nas inteligências artificiais com um processo muito importante, que é a consistência de dados e a consistência de conteúdo.”

A IBM também destaca que métricas tradicionais como cliques deixam de ser suficientes para medir o desempenho. Em um ambiente onde a IA responde sem gerar visita ao site, a recomendação pela própria IA passa a ser o indicador mais relevante.

Uma questão de liderança, não só de SEO

A parte que mais gerou reflexão no episódio foi a visão da IBM sobre quem dentro das empresas precisa se preocupar com essa estratégia. Segundo Zenk da IBM, se um líder de produto perguntar por que a marca não aparece em determinada recomendação de IA, essa pergunta rapidamente ultrapassa os limites do marketing. “Isso não é um problema pra equipe de SEO. Isso é uma questão de nível executivo.”

Lisane Andrade reforçou esse ponto no programa: “É importante que toda a liderança ela esteja preocupada com a visibilidade à medida que a IA se torna a porta de entrada para a descoberta.”

Isso significa que a discussão sobre GEO e visibilidade em IA já não pertence somente às equipes de SEO ou marketing. Ela envolve tecnologia, produto e a liderança da empresa.

O objetivo de ouro

Para a IBM, a meta final é ser citado como fonte de referência pelas IAs. Lisane resumiu bem a consequência de não alcançar esse objetivo. “Se ela não é recomendada, ela está perdendo o market share.”

A integração entre marketing, tecnologia e produto, junto com processos contínuos de atualização e governança de conteúdo, é o que a IBM propõe como caminho para que as marcas sustentem sua relevância nesse novo ambiente.

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